O esporte ao longo dos anos foi se desenvolvendo e criando novos contornos, dentre eles destacamos o do mundo corporativo. Para muitos praticantes deixou de ser uma atividade de lazer ou mesmo realizada com o simples intuito de manter a saúde, passando a se tornar sua profissão.

Não foi de uma hora para outra que surgiu a figura do atleta profissional. Os Jogos Olímpicos são o maior exemplo disso, visto que a profissionalização foi vedada durante muitos anos, sendo aceitos apenas competidores amadores. Foi somente no ano de 1990 que o Comitê Olímpico Internacional editou a Carta Olímpica para alterar as regras de elegibilidade, com o intuito de deixar de restringir a participação dos atletas profissionais e admitir os que recebessem uma contrapartida econômica pela prática desportiva. Por óbvio, isso foi apenas a materialização de uma tendência, já que os Jogos Olímpicos de 1984 foram os primeiros realizados com investimento privado, tendo mais de 30 patrocinadores que contribuíram com o equivalente a 500 milhões de dólares.

A profissionalização do esporte, ao receber novos contornos e gerar maior circulação de receitas obrigou que os atletas conseguissem performances físicas cada vez melhores. E assim, para atingirem num espaço curto de tempo o seu ponto máximo, sofrem não apenas com os exageros de suas cobranças pessoais, mas também de treinadores que acabam por assediá-los moralmente para conhecerem os reais limites do corpo (superação). Essas cobranças excessivas geram consequências devastadoras na autoestima dos atletas e na sua integridade psíquica. Alguns se rendem às drogas e ao álcool para sentirem durante algumas horas sua autoestima elevada. Outros utilizam o doping para se tornarem tão competitivos quanto os demais competidores e ao revés do esporte gerar melhor qualidade de vida no sentido físico, torna-se um fator destrutivo. Os reflexos são fulminantes na vida adulta, tais como, dores constantes e deformidades no corpo físico.

Outro fator que atinge a esfera emocional do atleta de modo substancial é que a carreira geralmente termina por volta dos 30 anos, pois passada essa idade, torna-se mais difícil obter resultados de alta performance e competitividade com seus pares.

Por certo as belíssimas performances dos atletas escondem sua pesada rotina diária que incluem além do mencionado, um esforço hercúleo para obter renda apenas para manter a subsistência e continuar praticando o esporte competitivo.

Embora alguns se esqueçam, a mente controla o corpo, e os atletas profissionais necessitam de treinamento psicológico não só para firmar o comportamento emocional durante a competição, mas também garantir o alcance do alto rendimento.

Neste cenário, percebemos que os atletas estão sofrendo o mais recente mal que assola a humanidade: o estresse causado pelo trabalho. Desta forma, o monitoramento do equilíbrio da saúde mental ganha maior relevância e merece igual tratamento ao treino físico.

BIBLIOGRAFIA

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Por: Daniela Carvalho Vendramini

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